Entidade aponta falhas metodológicas na pesquisa do Ibevar/FIA; associação alega que “interesse em redes sociais” não reflete gastos reais e que juros altos continuam sendo o fator predominante das dívidas.
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) divulgou um posicionamento oficial nesta quinta-feira (26) refutando as conclusões de um estudo do Ibevar e da FIA Business School. A iniciativa de contestar o levantamento ocorre em meio ao debate sobre a regulamentação do setor, impactando diretamente a percepção pública e as políticas de crédito no Brasil , uma vez que a ANJL defende que a pesquisa inverta a lógica econômica ao colocar as apostas acima dos juros e do acesso ao crédito como causadores de juros.
De acordo com a ANJL, uma pesquisa utiliza o engajamento digital como métrica de individualização, o que geraria distorções, já que períodos de alta discussão (como a CPI das Apostas) seriam lidos erroneamente como aumento de gastos. Os indicadores oficiais do Ministério da Fazenda reforçam o contra-argumento: mais da metade dos apostadores gasta até R$ 50 meses, valor incompatível com a tese de motor principal do individualização agregada. A associação também revelou que os dados de juros do estudo não acompanham os ciclos reais do Banco Central, ignorando as variações históricas das taxas SELIC entre 2011 e 2025.
“O estudo levanta uma questão relevante, mas não apresenta evidências robustas”, afirmou Plínio Lemos Jorge , presidente da ANJL. Tal posicionamento converge com as demandas atuais por regulamentação baseada em dados concretos , indicando que o endividamento é uma competência multicausal onde juros e oferta de crédito são os determinantes diretos, enquanto as apostas seriam apenas um efeito indireto no orçamento doméstico.