O comércio bilateral entre Brasil e China atingiu o segundo maior volume de toda
a história das relações econômicas entre os dois países em 2025, perdendo apenas
para o recorde absoluto de 2023. Segundo dados do Conselho Empresarial Brasil-
China, o aumento das vendas para o gigante asiático foi puxado principalmente
pelos embarques de soja, que responderam por mais de um terço do valor total das
exportações brasileiras para a China, com alta de 10% frente a 2024. O crescimento
do comércio foi diretamente influenciado pela guerra tarifária desencadeada pela
administração Trump.
As pesadas tarifas comerciais impostas pelos EUA forçaram o governo e as empresas
brasileiras a diversificar seus mercados, reduzindo a dependência de exportações
para os americanos e ampliando a rota comercial com a China. Produtos como carne
bovina, milho, óleo de soja e petróleo completam a pauta de exportações brasileiras
ao mercado chinês. Por outro lado, as importações brasileiras de manufaturados
chineses — de veículos elétricos a equipamentos industriais — também cresceram
significativamente, gerando debate sobre a competitividade da indústria nacional.
O aprofundamento das relações Brasil-China ocorre no contexto do fortalecimento
do BRICS, que em 2024 e 2025 ampliou seu número de membros. O Brasil sediará
presidência do grupo em 2025 e defende a criação de mecanismos de comércio em
moedas locais, reduzindo a dependência do dólar americano. A estratégia de
aproximação com Pequim, no entanto, gera tensões com Washington, que pressiona
parceiros comerciais a reduzirem seus laços com a China — ameaçando inclusive
o Canadá com tarifas de 100% caso avance nos acordos comerciais com Pequim.