Apesar da guerra comercial desencadeada pelo presidente Donald Trump, o superávit
comercial da China ultrapassou a marca histórica de US$ 1 trilhão em 2025,
desafiando as expectativas de quem apostava no isolamento econômico do país
asiático. O resultado foi possível graças à diversificação de mercados, ao avanço
das exportações chinesas na cadeia de valor — especialmente em veículos elétricos,
painéis solares e tecnologia —, e à alavancagem que Pequim detém sobre minerais
de terras raras, insumos críticos para a fabricação de chips, eletrônicos e
armamentos.
Em resposta às novas tarifas americanas de 100% sobre produtos chineses, Pequim
anunciou restrições às exportações de terras raras e impôs tarifa de 34% sobre
importações dos EUA. A China também promoveu a desvalorização controlada do yuan
para tornar seus produtos mais competitivos. O enfraquecimento das relações
comerciais EUA-China acelerou um processo de realinhamento geoeconômico global,
com Pequim aprofundando acordos bilaterais com países do Sul Global, incluindo
Brasil, membros do BRICS e nações do Sudeste Asiático.
A relação comercial Brasil-China atingiu o segundo maior volume de toda a
história em 2025, superada apenas pelo recorde de 2023. As exportações brasileiras
de soja para a China cresceram 10% em relação a 2024. O fortalecimento desse
eixo comercial, no entanto, gera preocupações sobre a vulnerabilidade brasileira
à desaceleração da economia chinesa, que cresceu a um ritmo mais moderado em
2026 diante das pressões comerciais e da crise energética no Oriente Médio.