CRIANÇAS EM BAIAS DE CAVALO: O PASSADO QUE ACARI NÃO PODE ESQUECER

Parece impossível. Mas aconteceu. Por anos, crianças do município de
Acari, no Rio Grande do Norte, estudaram em salas improvisadas dentro
de antigas baias de cavalo — estruturas construídas para abrigar animais,
readaptadas às pressas para receber alunos sem que isso gerasse indignação
suficiente para mudar a realidade.

O calor sufocante do semiárido sem ventilação adequada, o cheiro do
ambiente, a falta de privacidade, de carteiras, de condições mínimas
para que uma criança consiga se concentrar e aprender — esse era o
cotidiano escolar de centenas de pequenos acarienses. Um ambiente que
humilhava sem dar nome à humilhação, que adoecia sem parecer doença,
que comprometia o futuro sem que isso parecesse urgente o suficiente
para as autoridades.

Foi o Senador Styvenson Valentim que colocou fim a esse capítulo
vergonhoso ao destinar R$ 4,7 milhões para a construção da nova Escola
Municipal Major Hortêncio Pereira de Brito — 12 salas de aula, estrutura
moderna, ambiente digno e equipado para o que a educação precisa ser.

O passado das baias não pode ser apagado. Mas pode — e deve — servir
de lembrança do que acontece quando o poder público abandona as crianças
mais vulneráveis. A nova escola é a prova de que esse abandono pode
ser revertido. Que chegou tarde, sim. Mas que finalmente chegou.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *