CRIPTOMOEDAS E STABLECOINS GANHAM ESPAÇO NO SISTEMA FINANCEIRO GLOBAL

O crescimento das stablecoins — criptomoedas atreladas a moedas estáveis como o
dólar — promovidas principalmente por empresas americanas é apontado pelo relatório
da ONU como um novo fator de risco para a estabilidade financeira global. O
documento alerta que a expansão dessas moedas digitais fora dos sistemas de
supervisão financeira tradicionais pode gerar problemas de instabilidade e servir
como canal de evasão de controles cambiais e tributários, especialmente em países
em desenvolvimento.

Ao mesmo tempo, o crescimento do mercado de criptoativos reflete uma busca por
alternativas ao sistema financeiro dominado pelo dólar. A desdolarização —
movimento de países que buscam reduzir a dependência da moeda americana nas
transações internacionais — ganhou impulso com as sanções aplicadas à Rússia após
2022 e com as tensões comerciais lideradas pelos EUA. O BRICS tem debatido a
criação de um mecanismo de pagamentos alternativo, e alguns países têm firmado
acordos bilaterais em moedas locais para escapar do sistema SWIFT.

Nos EUA, o governo Trump demonstrou simpatia pelo mercado de criptomoedas,
levantando expectativas sobre uma regulação mais branda que possa favorecer a
adoção de ativos digitais. No Brasil, o Banco Central avança no desenvolvimento
do Real Digital (DREX), uma moeda digital do Banco Central (CBDC) que deve ser
lançada nos próximos anos. Reguladores de todo o mundo debatem como supervisionar
um mercado que cresce rapidamente e tem potencial tanto para democratizar o acesso
a serviços financeiros quanto para ampliar riscos sistêmicos se não for
adequadamente regulamentado.

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