A crise da educação pública no Rio Grande do Norte não nasceu em 21 de
março de 2025. Ela foi construída ao longo de anos de promessas não
cumpridas, retroativos represados, escolas sem manutenção e professores
em desvio de função — trabalhando em setores da Secretaria de Educação
(SEEC) enquanto faltam docentes em sala de aula.
O reajuste de apenas 6,27% proposto pela governadora Fátima Bezerra
foi o estopim de um confronto que já estava represado. Professores que
não recebiam correções salariais devidas desde 2023, que enfrentavam
salas com goteiras, paredes descascadas e sem ventilação adequada,
atingiram um ponto de ruptura diante de uma proposta que sequer cobre
a inflação do período.
A manobra de usar a Procuradoria Geral do Estado para barrar o pagamento
dos retroativos revelou o pior cenário possível: não é incapacidade
de pagar — é uma decisão política de não pagar. Para os docentes, isso
soa como desrespeito deliberado de quem, há anos atrás, prometia ser
a governadora que mais valorizaria o magistério no estado.
O resultado visível são professores desmotivados, alunos prejudicados
e uma escola pública que vai se deteriorando por dentro e por fora.
A crise chegou ao seu limite — e o confronto de março foi apenas o
sinal mais claro de que a paciência da categoria se esgotou.