A economia da União Europeia deve crescer apenas 1,3% em 2026, abaixo dos 1,5%
projetados para 2025, penalizada pelos arancéis americanos mais altos e pela
persistente incerteza geopolítica, que reduzem as exportações europeias. A Europa
enfrenta também o desafio de lidar com o desequilíbrio comercial crescente com a
China, que agora está mais presente no mercado europeu após o redirecionamento
de exportações provocado pela guerra tarifária com os EUA.
O banco francês Société Générale estimou que o impacto direto total das tarifas
americanas sobre a Europa foi equivalente a apenas 0,37% do PIB da região — menos
do que o temido inicialmente. No entanto, os efeitos indiretos, incluindo a
incerteza sobre contratos e investimentos, foram mais significativos. A presidente
da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tem pedido por soluções negociadas
com Washington e avaliado a imposição de contramedidas contra produtos chineses
para reequilibrar os laços comerciais com Pequim.
A guerra na Ucrânia continua sendo um fardo fiscal e humanitário para a Europa.
O continente mantém sanções à Rússia e segue sendo o principal destino dos
refugiados ucranianos — mais de 10 milhões desde o início do conflito. O aumento
dos gastos com defesa, que muitos países europeus foram pressionados a fazer após
os pedidos reiterados de Trump para que a OTAN assuma mais responsabilidades, pesa
nos orçamentos públicos já apertados. A dívida pública de Espanha atingiu 100,7%
do PIB em 2025, ilustrando a dificuldade fiscal que o continente enfrenta.