Um ano após o “Dia da Libertação” — quando o presidente americano Donald Trump
anunciou tarifas de até 50% sobre dezenas de países em 2 de abril de 2025 —, o
mundo faz o balanço das consequências da guerra comercial mais intensa desde a
Grande Depressão. As tarifas de Trump representaram o maior aumento de impostos
dos EUA como percentual do PIB desde 1993, equivalendo a uma alta média de
US$ 1.500 por domicílio americano em 2026.
O comércio bilateral entre EUA e China foi o mais impactado. As importações
americanas vindas da China caíram cerca de 30%, e as exportações americanas para
a China recuaram mais de 25%. Os produtos chineses passaram a representar menos
de 10% das importações totais dos EUA — percentual semelhante ao do ano 2000 e
muito inferior aos 20% observados em 2016. Em fevereiro de 2026, a Suprema
Corte dos EUA derrubou as tarifas do “Dia da Libertação”, declarando que Trump
havia excedido sua autoridade ao usar poderes de emergência sem aprovação do
Congresso. Ainda assim, os efeitos estruturais do protecionismo permanecem.
Na prática, países como o Canadá reorientaram suas relações comerciais: Ottawa
negociou um acordo com Pequim para reduzir tarifas sobre veículos elétricos
chineses em troca de menor taxação sobre produtos agrícolas canadenses, irritando
Washington. O Brasil, por sua vez, viu o comércio bilateral com a China saltar
para o segundo maior de toda a história em 2025, impulsionado justamente pela
diversificação forçada pelos tariffs americanos. O FMI alertou que as tarifas
“definitivamente desaceleraram” a atividade global e que novas tensões comerciais
podem ameaçar ainda mais o crescimento.