A “Operação Epic Fury” — como ficaram conhecidos os ataques americanos e
israelenses ao Irã em 28 de fevereiro de 2026 — gerou consequências diretas para
a economia brasileira, mesmo que o Brasil não seja parte do conflito. O principal
canal de transmissão é o preço do petróleo: com o fechamento do Estreito de
Ormuz, os preços dispararam e pressionam os custos de transporte, insumos
agrícolas e a balança comercial brasileira. O Tesouro Nacional alertou que se o
barril ultrapassar US$ 100 de forma persistente, o risco inflacionário deixa de
ser contido.
Especialistas da FGV, XP e LCA Consultoria apontam que o choque energético se
soma às tarifas protecionistas americanas, criando terreno fértil para a
estagflação — crescimento fraco com inflação persistente — na economia global,
com impactos potencialmente mais duradouros do que os vistos durante a pandemia.
O Banco Central do Brasil monitora a situação e pode rever o ritmo dos cortes na
Selic caso a inflação importada se intensifique. O câmbio, que havia se
valorizado no início de 2026, voltou a sofrer pressão.
O Brasil, como membro do BRICS e com participação ativa no Conselho de Segurança
da ONU, enfrenta o desafio de equilibrar princípios de não-intervenção com a
defesa do direito humanitário internacional. O agronegócio é outro setor em
alerta: interrupções no fluxo de fertilizantes provenientes do Oriente Médio
podem impactar o custo de produção e os preços internos de alimentos. Por ora,
o cenário-base dos analistas ainda não configura uma ruptura sistêmica para o
Brasil, mas a incerteza permanece elevada.