A inflação global deve cair para 3,1% em 2026, ante 3,4% em 2025, segundo as
Nações Unidas. O recuo é bem-vindo, mas economistas alertam que o processo de
desinflação é desigual entre países e que o custo de vida continua pressionando
as famílias de menor renda ao redor do mundo. Itens como alimentos, energia e
moradia permanecem os principais vetores de pressão sobre o orçamento doméstico,
especialmente nos países em desenvolvimento.
Nos Estados Unidos, a inflação ficou em 2,4% nos doze meses até janeiro de 2026,
mesma taxa de abril de 2025 — antes de a maioria das tarifas entrar em vigor.
O FMI projeta que a inflação americana converge para a meta de 2% mais lentamente
do que em outras economias desenvolvidas, em parte por causa dos efeitos residuais
das tarifas sobre o preço de bens importados. A diretora do FMI, Kristalina
Georgieva, revisou as projeções para baixo após a eclosão da guerra no Oriente
Médio, alertando que “todos os caminhos conduzem agora a preços mais elevados”.
No Brasil, o IPCA deve fechar 2026 em torno de 4,0% a 4,2%, ainda acima do
centro da meta de 3%. A inflação de serviços permanece resiliente, sustentada
pelo mercado de trabalho aquecido e pelo crescimento real dos salários. O Banco
Central mantém a Selic em patamar restritivo justamente para conter essas
pressões inflacionárias. Em economias emergentes como Argentina e Turquia, a
inflação segue em patamares muito mais elevados, refletindo desequilíbrios
macroeconômicos locais mais profundos que resistem aos esforços de ajuste.