O investimento em tecnologia e inteligência artificial (IA) surge como um dos
principais fatores que evitam uma desaceleração econômica ainda mais acentuada
em 2026. O FMI cita explicitamente os avanços em IA como contrabalanço às tensões
comerciais e geopolíticas, contribuindo para manter a projeção global em 3,3%.
As grandes empresas de tecnologia americanas — Nvidia, Apple, Microsoft, Alphabet
— continuam registrando crescimento sólido, impulsionadas pela corrida global
para adotar soluções de IA em setores como saúde, logística, manufatura e finanças.
No entanto, o FMI aponta os “altos valuations de ativos, particularmente em
setores relacionados à IA” como um dos principais riscos financeiros globais. Uma
eventual correção brusca nos mercados de ações americanos, concentrada no setor
de tecnologia, poderia ter efeitos cascata sobre mercados emergentes e sobre o
crédito global. O acordo fechado entre o governo Trump, Nvidia e AMD para a venda
de chips semicondutores à China — em troca de 15% das receitas geradas — ilustra
a tensão entre interesses comerciais e rivalidade estratégica entre as duas
superpotências.
No Brasil, o avanço da inteligência artificial e da automação amplia o risco de
desemprego estrutural no médio prazo. Segundo a Confederação Nacional da Indústria
(CNI), três em cada cinco trabalhadores na indústria precisarão de requalificação
até 2027. A indústria brasileira já enfrenta dificuldades para elevar a
produtividade por conta das lacunas na formação educacional dos trabalhadores. O
debate sobre regulação da IA e proteção dos empregos ganha espaço crescente na
agenda política e econômica do país às vésperas das eleições de 2026.