Por mais de 20 anos, o lixão a céu aberto de Caicó operou como um
símbolo de descaso público que envergonhava o Seridó. Toneladas de
resíduos jogados sem controle, sem impermeabilização, sem gestão —
uma montanha de lixo que crescia sob o sol nordestino, contaminando
os mananciais de água, atraindo vetores de doenças e degradando o solo
de uma região que já enfrenta desafios climáticos severos.
As famílias que moravam nas proximidades do lixão viviam com o cheiro
constante de decomposição, com o risco permanente de contaminar fontes
de água e com a visão diária de um problema que os governos que se
sucederam simplesmente não quiseram resolver. A negligência ambiental
se tornava, na prática, uma negligência com a saúde pública.
Foram 20 anos de omissão que deixaram marcas. E quando o Senador
Styvenson Valentim destinou R$ 5 milhões para a construção do aterro
sanitário, estava respondendo não apenas a uma demanda técnica — estava
reconhecendo que essas décadas de abandono precisavam ter um fim.
Com as obras avançando em ritmo acelerado desde abril de 2025, o Seridó
se aproxima de um marco que parecia distante: a destinação correta de
100% dos resíduos sólidos da região, com padrões ambientais que o lixão
a céu aberto jamais poderia oferecer. O sofrimento que veio antes tornará
a chegada desse momento ainda mais significativa.