A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública, maior aposta do governo
Lula para mostrar protagonismo na área de maior demanda popular, encontrou forte
resistência tanto no Congresso quanto entre governadores de diferentes espectros políticos.
A proposta prevê maior controle federal sobre as polícias estaduais, o que foi interpretado
por governadores como uma interferência indevida do governo federal nas competências
dos estados. Até o relator da proposta na Câmara, Mendonça Filho (União-PE), criticou
alguns de seus pontos. Governadores de oposição, como Tarcísio de Freitas e Romeu Zema,
recusam qualquer federalização do controle policial. Mesmo aliados do governo têm reservas
sobre aspectos da proposta. O cenário força o Planalto a renegociar os termos da PEC
para obter o mínimo de apoio necessário para sua aprovação.
Analistas apontam que o fracasso da PEC seria um baque significativo para a imagem do governo Lula na questão da segurança, área em que o PT historicamente tem desempenho inferior aos seus adversários
nas pesquisas eleitorais. A negociação da PEC está diretamente ligada ao debate eleitoral
de 2026 e à tentativa do governo de capturar a pauta da segurança pública.