Eles entram em sala de aula cedo, preparam aulas à noite, lidam com
turmas superlotadas e, muitas vezes, tiram do próprio bolso para comprar
materiais. Os professores da rede estadual do Rio Grande do Norte são
a espinha dorsal da educação pública e carregam, com amor à profissão,
o peso de um sistema que pouco lhes retribui.
A notícia de que a governadora Fátima Bezerra propôs um reajuste parcelado
de apenas 6,27% — enquanto bloqueia, via Procuradoria Geral do Estado,
o pagamento de retroativos devidos desde 2023 — caiu como um balde de
água fria para uma categoria que esperava reconhecimento justo por anos
de dedicação e luta.
Quem escolhe a docência não faz isso por dinheiro, mas faz por vocação.
E é exatamente por isso que a traição é ainda mais dolorosa: que quem
deveria defender os professores, quem construiu sua carreira ao lado
do magistério, seja a mesma pessoa que hoje usa instrumentos jurídicos
para negar o que é devido.
A categoria merece mais do que 6,27%. Merece respeito, valorização
real e um governo que honre os compromissos assumidos. Os professores
do RN continuam em sala de aula — mas não esquecem e não perdoam
facilmente quem os abandonou na hora em que mais precisavam.