Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou as tarifas
impostas pelo presidente Donald Trump com base nos poderes de emergência da Lei
de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). A decisão afetou
todas as tarifas impostas unilateralmente por Trump sem aprovação do Congresso,
incluindo as primeiras taxações anunciadas sobre México, Canadá e China no início
de 2025 e as tarifas do “Dia da Libertação” de abril de 2025.
A decisão da Suprema Corte não encerrou, porém, o protecionismo americano. Em
20 de fevereiro de 2026, Trump assinou novo decreto impondo tarifa de 10% sobre
todos os países, usando agora a Seção 122 da lei comercial, que permite imposição
de tarifas em resposta a déficits comerciais. A medida deve se aplicar a cerca
de US$ 1,2 trilhão em importações e tem validade de 150 dias. Em 11 de março de
2026, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) iniciou novas
investigações da Seção 301 contra China, União Europeia, Singapura, Suíça,
Noruega, Indonésia, Malásia, Camboja, Tailândia, Coreia, Vietnã, Taiwan,
Bangladesh, México, Japão e Índia, preparando o terreno para novas tarifas.
Economistas alertam que, embora a calamidade econômica amplamente prevista não
tenha se materializado, a guerra comercial deixou cicatrizes: o setor de
manufatura americano se contraiu durante boa parte de 2025, e a incerteza
contínua sobre a política tarifária segue desestabilizando o comércio
internacional. O impacto sobre cadeias globais de suprimentos foi profundo, com
empresas relocalizando produção e renegociando contratos. O FMI afirmou que as
tarifas “definitivamente desaceleraram a atividade global” e que novos aumentos
podem ameaçar o crescimento mundial.