Desembarque de ministérios e persistência da oposição nacional coloca em xeque a parceria entre Zenaide Maia e o grupo de Allyson Bezerra no Rio Grande do Norte.
A oficialização do rompimento da federação União Progressista (PP e União Brasil) com o Governo Federal instalou uma crise de identidade na base aliada potiguar. A iniciativa dos presidentes Ciro Nogueira e Antônio Rueda, que determinaram a entrega de cargas e punições disciplinares para quem permanecesse no governo, impactou diretamente a senadora Zenaide Maia , vice-líder de Lula, que mantém uma aliança sólida local com o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, agora formalmente opositor ao Palácio do Planalto.
Segundo as informações apuradas, o processo de isolamento de Zenaide Maia ganha contornos dramáticos, pois a senadora pode ser obrigada a encerrar uma parceria de anos com a esquerda para seguir com Allyson em uma “via própria” ou no campo da direita. Os dados indicam que a mudança gera um risco eleitoral elevado, uma vez que o eleitorado do parlamentar não abrange o universo bolsonarista, deixando-a vulnerável entre as candidaturas competitivas de Styvenson Valentim e Fátima Bezerra .
“A reunião da federação foi o maior movimento de oposição desse país até hoje”, afirmou José Agripino, presidente da União Brasil no RN, sinalizando que a convivência entre aliados de Lula e membros da federação tornou-se insustentável. A postura de Zenaide Maia vem ao encontro de um dilema estratégico: manter a camada ideológica com o PT nacional ou arriscar o capital político em um palanque que rejeita a gestão de Fátima Bezerra no estado.
As discussões de bastidores sugerem até uma possível migração de Allyson Bezerra para o PSD como tentativa de salvar a aliança, enquanto o governo federal trabalha para não perder o apoio de uma senadora em Brasília diante do avanço da oposição no Congresso.